10.20.2010

a marmelada

A quinta que compramos está abandonada à mais de 70 anos.
Já não se sabem ao certo as histórias, não se conhece bem quem por lá passou, quem lá viveu.
Quem o sabe são as árvores. Sabem quem as plantou, quem lhes colheu os frutos.
Durante estes (mais de) 70 anos de abandono, as silvas e a maior madre-silva que já vi, tomaram conta do muro e dos marmeleiros que ali viviam, criando uma densa "selva" no espaço de cerca de dois ou 3 metros, para a frente do muro, forçando as árvores a contorcer-se e a viver com parte dos seus troncos e ramos na mais completa escuridão. 
Desta vez, este ano, os poucos frutos destes marmeleiros não caíram à terra, nem apodreceram na árvore.
Claro que com tanto "mau-trato" e falta de ar, a quantidade de fruto não foi muita, e a maioria dos que colhi não consegui aproveitar.
Parte dos marmelos foram para os meus sogros, que nos ajudaram a apanhá-los, e com o restante consegui ainda aproveitar 1,5kg de marmelos para a fazer marmelada.
Como a maior panela que tenho é, ainda assim pequena demais, tive de a fazer em duas "rodadas". Deu 4 tigelinhas que estão agora a secar ao sol!
Pouquinha, mas acredito que me saberá muito bem!

10.16.2010

Outono

"Chega o Outono.
Do alto de seculares castanheiros, os ouriços caem e abrem.
As castanhas, estão prontas a serem comidas."








Com muito orgulho apresento as primeiras castanhas que apanhamos na nossa quintinha.
Para já, a penas uns 2kg de amostra... os próximos dias serão de "apanha da castanha".
E ainda, os marmelos que espalham o aroma adocicado por toda a casa. Pronta para a Marmelada!!!
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10.06.2010

Tenho saudades



Inspirada por este post recordei algumas palavras que escrevi na altura em que saí da cidade e vim esticar as minhas raízes nesta terra do centro do país.

No cimo de um rochedo, num pinhal de frondosos pinheiros mansos, rabisquei num caderno...
(Sinto-me um pouco reticente em partilhar, mas cá vai...).

Tenho saudades
Do meu espaço e tempo.
De asas para voar e ver
Toda a casa, o mundo.
Sinto o vento que aconchega
E leva.
Sinto-me pura e parte do todo
Neste instante,
Sou tudo
Sou todo e nada
Viajante, recém chegada,
De partida.

Quero dar-me
E entregar-me
Para todo o sempre
Ser plena e feliz
Como o pássaro que pia
Que no vento voa
Que à mãe canta
Unindo-se ao céu
Amando o mundo.

Tinha saudades
Deste espaço e tempo.
Deste instante, desta verdade,
Desta rocha, deste pinhal.
Pássaros, Cheiros,
E Vento.
Destas histórias
Que me conta o tempo
E traz saudades.

Sta Fé, Fevereiro 2006