a chita e a cadeira de baloiço

Uma amiga ofereceu-nos esta cadeira de baloiço holandesa à cerca de um ano. Está com algum buraquinho de bicho e falhas na camada de verniz. O assento de palha também já teve melhores dias. Eu sempre disse que ía restaurá-la, mas até hoje, nada.
Tenho-a na sala e a verdade é que já me habituei ao seu aspecto velho. Pode ser que um dia lhe dê um jeito!
Costumo tê-la com uma almofada castanha e sem piada, para torná-la um pouco mais alta para que o maroto do Simão não se lembrar de a trepar, por-se em pé e cair.

Sempre que a Rosa fala das chitas, lembro-me que tenho uma relíquia bem guardada, que a minha avó me deu à anos para cobrir um grande caixote de cartão onde guardava as minhas papeladas e bagunças, na época em que morei lá em casa.
Guardei o tecido religiosamente e nunca sequer o cortei (é uma peça com cerca de 3 por 1).
Gosto muito das cores e do padrão mas nunca me senti com coragem de lhe meter a tesoura.
Ora hoje, decidi fazer com ela uma capa para a almofada castanha da cadeira de baloiço.
Nem sequer vou precisar de todo o tecido.
O resto, volto a guardar como um tesourinho!

Festival Músicas do Mundo e outras paragens

Uma semana depois, enfim de volta a casa.
O balanço da experiência é positivo, apesar de todo o cansaço.

Cerca de 1200km (talvez mais).


A viagem:

Oliveira do Hospital - Covilhã (Sofia e Duarte e Salvador, obrigado pela vossa hospitalidade)


Covilhã - Porto Covo




O festival...

Bons amigos,

Boa música.

Boa praia e muito trabalho!


Nunca tinha estado na costa vicentina. Apenas na Zambujeira do Mar (no Festival Sudoeste em 2000).

As praias são lindas, abrigadas pelas falésias, a areia fina e quente e ondas suaves. Paisagem de postal.

Falésias, dunas cobertas de variada vegetação.

Aldeias, pequenas vilas de casas em branco e azul à beira-mar.

De manhã os corvos sobrevoam as falésias em enormes bandos.

Ao longe à direita o porto de Sines com os grandes cargueiros. À esquerda a famosa Ilha do pessegueiro.

O som das ondas do mar, sempre.

O sol a queimar.


Quanto ao Fesival, estavamos mesmo à entrada do recinto. Claro que não tinhamos bilhetes por isso não assistimos a concertos.
Já quase no fim do último concerto abríam as portas e assim pudémos espreitar o ambiente.

Sem dúvida uma colorida fusão de culturas e estilos. Ainda assim, apesar do festival que sem dúvida levou muita gente a Porto Covo, acho que os habituais turistas (portugueses, espanhóis, ingleses, alemães) estavam em grande maioria nas praias, ruas, esplanadas de restaurantes.

Admira-me o facto de o Simão ter conseguido adormecer sempre tão bem, com música tão alto. Está tão habituado ao silêncio e paz do campo.

Sem dúvida que estava bastante cansado com tanta agitação. Foi uma mudança drástica de ambiente e fez birras de nos deixar com mais cabelos brancos ainda.

Mas acho que apesar de tudo foi bom para ele.

Brincou muito com outras crianças, contactou com muitas pessoas.

Teve, inevitavelmente de dividir a atenção dos pais com a quantidade de coisas que tinhamos para fazer... Enfim...

Foi óptimo poder contar com a ajuda desta família.


A nossa banca e a Sofia sempre na costura.



Adormecer e acordar com as ondas do mar e esta fantástica vista.

Porto Covo - Pedrogão Grande

De regresso, fizemos uma paragem de dois dias em Pedrogão Grande.

Reencontro com esta menina, amiga do coração e madrinha do Simão.

Manhã de mergulhos na piscina suspensa nas águas do Zêzere e tarde de brincadeira na praia fluvial do Mosteiro.

Soube bem relaxar depois de uma semana tão corrida!






Pedrogão - Arganil

Em Arganil parámos para comer qualquer coisa. No supermercado encontro a minha melhor amiga dos 11 aos 13 anos, com quem havia perdido totalmente o contacto. Foi uma boa surpresa!

Tantas recordações... 6º e 8º ano (interrupção no o 7º, que fiz no Porto).


Arganil - Oliveira

É tempo de parar, arrumar tralhas, regar plantas, mimar os gatos!

E ainda... acabar trabalhos pendentes - o cartaz para a Festa da Undiade (que já devia ter entregue à dias atrás!)

Festival, amizade e blogging friends..

Porto Côvo... here we go!

Foi uma semana de muito trabalho, boas notícias, espaço para novos e velhos amigos também.
Entusiasmada com a certeza de que dentro de dias estaremos em Porto Côvo, no Festival de Músicas do Mundo, durante o fim-de-semana. A correria começa, preparação do material, esticar painéis, polir brincos, reciclar peças, produzir novas. Preparar a banca. Rechear a carrinha... Só possível durante a sestinha do Si e um pouco à noite. E ainda tanto há a fazer.
Vai ser bom sair daqui, passar uns dias fora, mudar de ambiente, um pouco de praia... Sei que vai ser cansativo. O Simão ainda não está nada habituado a estas andanças mas vai ser bom!


Foi também uma semana bem diferente...
Pela primeira vez conheci alguém com quem só tinha contactado pela internet, neste caso, através dos nossos blogs e emails.

Uma tarde bem passada junto ao rio. Muito riso e bricandeira e a doçura das mãozinhas dadas entre o Simão e a Isabella! Conheci a Alice através do blog da Rima. Cativou-me. A viajem, "wheeled houses", a busca do sonho, neste caso -"a rural dream". Foi uma surpresa quando soube que vinham em direcção a Portugal, "the green heart of central Portugal", "Estrela Mountains". Desde então não deixamos de comunicar.

E mais uma recente bloggingfriend, (que espero conhecer no FMM, ou ainda antes - na sua Nemus), minha vizinha nos montes hermínios e que, tal como eu, encontrou aqui a sua casa.
(Serra da estrela, zona de Figueiró da Serra)

Apesar de poder ser incomum na minha geração, MIRC, chats e messenger passaram-me completamente ao lado.
Desinteresse total.
Nunca perdi tempo a cultivar amizades virtuais. Não sei porquê, mas acho que com os blogs é diferente.
Sorrateiramente "espreitamos" a vida, os pensamentos, as histórias de alguém. A sensação de que já nos conhecemos nasce antes sequer do primeiro contacto. Deixamos os nossos comentários, recebemos o feedback normalmente da mesma maneira.
Se há empatia, a relação nasce, estreita-se e nasce a possível amizade.

Não tenho amigos de infância. Crescer na errância de uma família mais ou menos nómada tornou isso impossível, mas a riqueza de experiências vividas, valeram bem a pena!
As poucas, boas e verdadeiras amigas que tenho vêm dos tempos da escola. Apesar de todas ter-mos escolhido e seguido caminhos diferentes, de sermos todas tão diferentes, gosto de cada uma, individualmente, muito.
A distância afasta-nos fisicamente. Deixei de participar e fazer parte do dia-a-dia de cada uma, e elas do meu. Afastou-nos sim, sem dúvida, mas a amizade prevalece.
Que post lamechas?! Sim, acho que sim... Mas sinto-me lamechas hoje!...
...E com saudades de velhos tempos!

Quando vivemos isolados, escolhendo o afastamento da sociedade, aprendemos a gostar de estar no nosso canto, a apreciar a paz e o sossego e a não suportar a multidão, a confusão, a própria ideia de sociedade. Não precisamos de mais nínguem senão estar bem conosco, com o nosso parceiro, o nosso filho.
Sinto-me um pouco "bicho-do-mato", e gosto.
Às tantas é por isso que gosto tanto do bichinho do Kafka n`O covil - (1923-24).

«Arranjei o covil e parece que me saí bem. Do exterior vê-se apenas um grande buraco, mas na realidade esse buraco não conduz a parte nenhuma (…) Porém, a uns passos do buraco, abre-se a verdadeira entrada, coberta por uma camada de musgo, que eu posso levantar: se há neste mundo alguma coisa segura é este lugar.»


Guardo com amor as recordações. Prezo a amizade, como um tesouro!
Novas amizades são boas. Têm sido raras.
É bom aproveitar, tanto que aprender e partilhar...