6.21.2009

Barrigas de gesso

Eis o resultado final da barriga de gesso.
A recém-mamã gostou e eu adorei a experiência.
Um dia telefona-me uma amiga perguntando-me se eu podia fazer o molde da sua barriga de grávida, e pintá-lo. Na altura com 32 semanas, acho.
Não sabia bem o que era, como fazer, só tinha feito máscaras e já há uns bons anos. Pela pesquisa que fiz na altura, no Brasil é muito comum, em Portugal é bem mais recente mas já está a pegar moda e cada vez mais se houve falar. Ainda não há muita gente que o faça. Por isso, e depois desta experiência, estou a pensar sériamente em fazê-lo mais vezes. É oficial.
Em breve ouvirão mais notícias acerca disto.
Para já, quem quiser mais informações é só enviar um email ou deixar aqui um comentário.
Informações "barriga de gesso": xdtengo@gmail.com

6.06.2009

Açor...

Saudades desta Serra...
No passado sábado, decidimos experimentar a carrinha. Sacos feitos a correr, toca a meter tudo o que possa vir a ser preciso, ou não!
Já quase no final da tarde, sem rumo, às voltas com o mapa... «Para onde?» «Góis!!» - lembrei-me. É para lá que vamos. Mais precisamente, Vila Nova do Ceira. Praia fluvial das Canaveias (mas na outra margem do rio!).
Volta e meia vamos lá parar. Já está muito diferente, modernizado, desde que conheci o sítio à uns 12 (?) anos atrás. O rio é expectacular, o sítio é pacato e só recebe "enchentes" em Agosto, ao fim-de-semana. Foi lá que passamos a noite e onde acordamos com esta paisagem.

Banho matinal e lançamento de pedrinhas.

Fomos a Góis, ao supermercado, "abastecer" para o almoço, e partimos rumo à "minha Serra".

A serra onde vivi metade da minha infância e metade da adolescência, e onde nunca mais tinha voltado.

A cerca e 10km de Góis, direcção de Arganil, fica Celavisa. Recordo a escola onde fiz a 4a classe e os caminhos da aldeia que percorria a pé de regresso a casa. Noto poucas diferenças, apenas novas construções, o cão que estava sempre preso e tinha um ladrar rouco, já não está lá. Já não há mulheres a lavar a roupa nas pedras do canal de água, mesmo ao lado da estrada. A água ainda corre. Nunca foi para mim uma aldeia bonita, mas tantos anos depois, foi com alegria que revi as ruas, casas e até algumas caras a quem me lembro de dar "bons dias" e "boas tardes".

Um quilómetro à frente, Jurjais.
Lado esquerdo da estrada, ao cimo. Pequeno aglomerado de casas, outrora abandonado, quase todas a cair. Apenas duas, três mais arranjadinhas, de emigrantes ou pessoas que foram viver para as cidades e só vinham passar férias. A nossa casa e quinta, era no cimo do lugar e por causa da vegetação não se vê da estrada.
Hoje, a maioria das casas estão recuperadas, com flores nas janelas e roupa em estendais. Alguns carros estacionados cá em baixo, na estrada. Nenhum português.
Sem parar, seguimos o nosso caminho.
Linhares, Pracerias, Adcasal. O alcatrão acaba e começamos a subida para a Serra.
No alto, onde 5 caminhos se encontaram numa fonte de água fresca, paramos na sombra dos castanheiros. A vista é deslumbrante.
Uso pela primeira vez o fogão da carrinha e preparo o nosso almocinho. O Simão aventura-se no mato e aprende por experiêcia a afastar-se dos tojos que picam «Pii...!». Corre na estrada deserta, jogamos com ele à bola.
Doce cheirinho a liberdade tráz-nos a serra e o vento que sopra, tornando suportáveis os 30ºC ou mais graus que se fazem sentir ao sol.
Cerca de duas horas passadas e só 2 carros passaram na estrada mais abaixo.
Simão começa a ficar com soninho e seguimos caminho em direcção ao Colmeal.
No Sobral, encontramos de novo estrada alcatroada.

Linda Serra do Açor.
Segue-nos o som da água que corre no rio, nos ribeiros e pequenas cascatas no fundo dos vales.
Magestosas encostas de mato rasteiro: urze, rosmaninho, carqueja, maias, giestas. Frondosos vales de castanheiros, carvalhos, loureiros... criam uma incrível paleta de tons com que apetece pintar.
E é-me tão familiar...
Relembro os passeios que fazíamos nos finais de tarde no Verão. Fantásticos pores-do-sol de fogo, a cassete dos Dire Straits e o sabor a liberdade. Apesar do "aperto" que eram esses passeios, em que eramos 8 numa 4L - Três mais dois ao colo só no banco de trás - Somos 6 irmãos!

Aldeias de xisto abandonadas com os seus socalcos suportados pelos seculares muros de xisto. Construídos pedra-a-pedra pelas mãos de homens.
Outras aldeias, mais modernas, mas nem por isso mais habitadas, remetidas ao esquecimento, isoladas por muitos quilómetros de estrada, de qualquer vila ou cidade. Imagino que a maioria das aldeias se encha de cor, vida e alegria apenas no Verão, quando regressam à terra aqueles que há muito emigraram.
O Simão dorme todo o caminho.
Contornamos montes, subimos e descemos encostas. Perdemo-nos pelas múltiplas cicatrizes da Serra. São muitas as estradas que se cruzam e onde não há sinalização. Apenas tabuletas com nomes de aldeias que não aparecem no mapa.
A intenção era seguir norte e encontar um tal de "estrada amarela" do mapa que nos levavaría à Vila de Avô. Não chegamos a encontrá-la.
Cerca de três horas de caminho, finalmente, reconhecemos uma estrada, um lugar, onde uma vez "piquenicamos" a caminho do Piodão.
Si acorda. Perdeu um belo passeio mas fez uma boa soneca.
Avô... Oliveira... Estamos em casa.
A carrinha portou-se bem, apesar de nos ter pregado um tremendo susto por falta de travões em plena serra, mas tudo ficou bem - com uma grande ajuda "dos Céus", eu acho.